segunda-feira, 5 de outubro de 2009
I Conferência Municipal de Cultura do Rio!
Políticas Culturais no RJ e em Brasília
• A Assembléia Legislativa do Estado do RJ – ALERJ aprovou, em 23/09, o projeto de resolução de autoria do presidente da Comissão de Cultura daquela casa, Deputado Molon (PT-RJ), que cria a Frente Parlamentar para a Reforma da Cultura – RECULTURA, com caráter suprapartidário, em apoio ao movimento de artistas e produtores culturais que luta por um novo marco regulatório para a cultura no Brasil. A frente será lançada em ato dia 13 de outubro, às 18h30, no plenário. O movimento quer reformas nas legislações trabalhista e tributária a fim de viabilizar a área como um importante setor da economia.
• A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) , a Secretaria de Cidadania Cultural e a Secretaria de Políticas Culturais, ambas do Ministério da Cultura e a Escola de Comunicação da UFRJ promovem o 1º Seminário O Programa Cultura Viva e os pontos de cultura: novos objetos de estudos, que acontecerá no auditório da FCRB dias 15 e 16 de outubro, das 9h30 às 19h.
O qual reunirá membros dos programas de graduação e pós-graduação, associações acadêmicas e agências financiadoras e estudiosos dos mais diferentes graus de formação que tenham este programa como objeto de estudo.
Os objetivos do evento são: promover a divulgação dos trabalhos, criar linhas de financiamento para o campo e incentivar a formação de uma rede de pesquisadores sobre o tema. Mais informações pelo e-mail politica.cultural@rb.gov.br ou pelo telefone (21)3289-4636.
Em Brasília:
• A Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou em 23/09 o 1° Plano Nacional de Cultura, com relatório da deputada Fátima Bezerra (PT-RN) ao PL 6835/06, construído após consulta em todo o país aos segmentos culturais. O Projeto agora segue para aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. O Plano é um marco regulatório na Política Cultural, transformando-se no primeiro estatuto legal dos direitos culturais no Brasil, garantido pela Constituição Federal.
• No mesmo dia, depois de aprovado o Plano Nacional de Cultura, no final da tarde a Comissão Especial das Receitas da Cultura aprovou, por unanimidade, o relatório da PEC 150/03 que destina orçamento de 2% para União, 1,5% para Estados e 1% para Municípios, proposta dos deputados Zezéu Ribeiro (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA) e da já citada Fátima Bezerra.
• Agora seguem para votação no plenário da Câmara Federal. Seguiremos acompanhando o andamento das duas propostas.
Editais em 05/10/2009
As provas do concurso, realizado pela Fundação Universa, estão previstas para o dia 6 de dezembro deste ano e serão realizadas em todas as unidades da Federação. O maior número de vagas é para Brasília e Rio de Janeiro, porém, todas as superintendências estaduais do Iphan serão contempladas.
Serviço: Inscrições: de 5 de outubro a 4 de novembro de 2009
Taxa: R$ 32 (nível médio) e R$ 67 (nível superior) ver em: www.universa.org.br e/ou ainda em http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=14702&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia .
• A Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro abriu em 24/09 as inscrições de projetos candidatos a financiamento pelo Fundo de Apoio ao Teatro (FATE) que foi reativado com uma verba total de R$ 3 milhões para este edital. Os recursos serão distribuídos entre companhias e produtores estabelecidos no Rio de Janeiro, que poderão inscrever apenas uma proposta. As inscrições vão até 9 de novembro de 2009 e o resultado sai em 15 dias.
Os projetos selecionados devem ser produzidos no período de um ano (12 meses) e, preferencialmente, estrear numa das seis casa da Rede Municipal de Teatros: Carlos Gomes, Café Pequeno, Ziembinski, Maria Clara Machado (Planetário) Sala Baden Powell e Espaço Sérgio Porto, mas poderão ter sessões em lonas e centros culturais como contrapartida do financiamento.
Os projetos devem ser encaminhados à Secretaria Municipal de Cultura (Rua Afonso Cavalcanti, 544, sala 209) em dois envelopes separados. O primeiro terá a identificação com ficha técnica, cessão da obra e anuência do autor ao concurso, currículo e carta de compromisso do diretor e dois atores que dele participam. O segundo envelope deverá ter a descrição da proposta com orçamento detalhado, roteiro do espetáculo e um plano da contrapartida ao patrocínio. mais informações em http://www.rio.rj.gov.br/cultura/ .
Diana Aragão escreve sobre Gilberto Gil e Luiz Carlos da Vila
O Teatro Bradesco será inaugurado oficialmente só no dia 22 de outubro mas como ele é o maior empreendimento cultural da América Latina dentro de um shopping, o Bourbon Shopping, foi o local escolhido pelo artista para a gravação do DVD “Bandadois”. O novo show de Gil – contando somente com a participação do violão e guitarra de Bem Gil (um dos seus filhos) – será lançado no final de novembro e foi dirigido por Andrucha Waddington com produção de Liminha, parceiro musical das antigas.
Gilberto Gil escolheu repertório bem variado – que não deve ter sido fácil tamanha a qualidade da sua obra - favorecendo o formato voz e violão, claro. Gil apresentou três músicas novas: “Das duas, uma” composta para o casamento de sua filha Maria; “Quatro coisas” e “Pronto pra preto”. E, pela primeira vez, ele cantou uma das músicas mais antigas de sua autoria, a “Amor até o fim”, lançada nos anos 60 na voz de Elis Regina, pioneira em gravar Gil, Caetano, Milton Nascimento, entre outros. Por conta dessa história, Gil chamou Maria Rita (filha de Elis e cantora tão boa quanto a mãe) para dividir os microfones nessa faixa.
A Warner Internacional (gravadora onde o artista lança seus trabalhos) fez uma pesquisa em suas filiais espalhadas pelo mundo e todos queriam esse trabalho de voz e violão. A MTV exibirá um compacto do show dia 14 de novembro. Vale registrar que o teatro é uma iniciativa do Grupo Zaffari e da Opus Produções. Ponto pra todos.
II – Instituto Luiz Carlos da Vila
A diretoria do Instituto Luiz Carlos da Vila, saudoso compositor carioca falecido ano passado, pede pra comunicar o seguinte:
Alguns eventos realizados em homenagem a Luiz Carlos da Vila estão utilizando o argumento de que a arrecadação de bilheteria será revertida em benefício da família e, em virtude disso, solicitam liberação do cachê dos artistas. Esse procedimento vem colocando em situação de constrangimento desnecessário esses profissionais, pessoas sempre queridas pelo compositor.
Diante dessa conduta, em nome de toda a família, informamos que a prática não tem o seu apoio e que eventos dessa natureza vão contra os princípios cultivados por Luiz, seus familiares e o Instituto que lhe representa. As ações beneficentes devem ter o apoio do Instituto Luiz Carlos da Vila e a ele deve ser revertida a verba arrecadada, sem qualquer prejuízo para os artistas envolvidos. Apenas a estes cabe a decisão a respeito do cachê.
O Instituto Luiz Carlos da Vila não realiza evento sem a garantia da remuneração dos artistas, respeitando a posição do compositor em defesa da valorização do samba e da cultura brasileira; caso haja necessidade, o Instituto tratará prévia e respeitosamente com os envolvidos. Portanto, senhores e senhoras artistas, fiquem à vontade para tomarem posição.
Esclarecimentos adicionais, favor entrar em contato por meio do telefone: 21-3352.1320.
Agenda e notas 05/10/2009
• 08/10: Na sessão de encerramento do Seminário Internacional "Museu e Comunicação" haverá apresentação do projeto do “Novo MIS” pela equipe do Museu da Imagem e do Som – MIS/RJ, 16h30, no Museu Histórico Nacional (Av. Alfredo Agache, Praça XV, perto do Aeroporto Santos Dumont).
• 08/10: às 16h, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados realiza audiência pública no Rio de Janeiro, para debater o Projeto de Lei 5798/2009, que cria o Vale-Cultura.
Pela proposta, os trabalhadores receberão mensalmente R$ 50,00 para adquirir produtos ou serviços culturais. A audiência é uma iniciativa do Deputado Paulo Rubem Santiago, titular da Comissão e relator do Projeto, e acontecerá no Salão Portinari da Representação Regional do Ministério da Cultura - Rio de Janeiro (Rua da Imprensa, 16 - 2º andar).
• 09/10: O projeto Consultoria Cultural do Sindicato dos Trabalhadores em Consultoria – SINTCON apresenta nesta edição “Onde Minas encontra o Nordeste” reunindo o grupo Cambada Mineira, ao poeta matuto Geraldo do Norte e o violonista e cantor Íbis Maceió. Será no auditório do sindicato, 18h30, Rua Álvaro Alvim, 37/5º, Cinelândia, tel.: 2240-6328, com entrada franca.
• 10/10: nosso Espaço Cultural Aracy de Almeida apresenta em uma programação especial em comemoração ao Dia da Criança, o musical infantil “HI – 5 Cover” com uma adaptação da famosa série exibida no Canal por assinatura Discovery Kids. Será as 16h, com entrada franca, o espaço fica na União dos Cegos no Brasil/UCB a Rua Clarimundo de Melo, 216, Encantado. O projeto é uma parceria nossa com a ArteNova produções, a UCB e tem patrocínio da CTIS.
• 10/10: é dia de mais um encontro da confraria Casa Lima Barreto, a partir das 13:30 no Centro Cultural Memórias do Rio, Rua Gomes Freire, 289, Lapa, tel.: 2221=5441. O grupo musical básico da confraria "Feiras e Mafuás" liderado pelo compositor e cavaquinista Flávio Oliveira comandará a roda que receberá o grande Monarco.
• A Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis realiza, de 01 de outubro até 18 de dezembro, o Censo da Cultura. O objetivo do censo é cadastrar produtores, artistas e agentes culturais que, posteriormente, terão seus dados publicados em um guia de serviços do segmento, que divulgará a classe artística de Petrópolis. Para se cadastrar basta preencher o formulário que está disponível na internet, no site da FCTP - www.petropolis.rj.gov.br/fctp - ou na Gerência de Programação Cultural, no Centro de Cultura Raul de Leoni. Mais informações: Tel.: (24) 2233-1219 / 1220 – E-mail: censocultura@petropolis.rj.gov.br .
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Urgente: Conferência Municipal de Cultura
conforme já divulgamos em março/2010 será a II Conferência Nacional de Cultura, precedida de conferências estaduais e municipais. A Municipal do Rio será em novembro, precedida de pré-conferências por bairro.
Aos que são da diretoria do CPC não é um pedido é uma indicação, precisamos participar ou estaremos em contradição com o que pregamos, defendemos e divulgamos. Ou seja TODOS TEM QUE COMPARECER A UMA PRÉ-CONFERÊNCIA PARA QUE NESTA TENTEMOS SER ELEITOS PARA A CONF. MUNICIPAL E DESTA P/ A ESTADUAL E NACIONAL.
A INSCRIÇÃO É ONLINE SOMENTE ATÉ O DIA 30/09, OU SEJA QUARTA-FEIRA. SENDO QUE DEPOIS TEM QUE IR NA SUBPREFEITURA NA QUARTA OU QUINTA PRA PEGAR A CREDENCIAL.
PROPOMOS QUE NÓS DO CPC, E OS AMIG@S QUE NOS APOIAM SEMPRE, PARTICIPEMOS DA CONFERÊNCIA DO CENTRO, EM 17/10. ATENÇÃO TEM UMA NO DIA 03/10 NO CENTRO, PROPOMOS E EU, FLAVIO JÁ ESTOU INSCRITO NA DE 17/10.
É SIMPLES, CLIQUEM NO LINK
www.rio.rj.gov.br/conferenciamunicipaldecultura
E PREENCHAM LÁ OS DADOS, NA HORA DE ESCOLHER REGIÃO É CENTRO E DEPOIS TEM UMA OUTRA OPÇÃO QUE É CENTRO 03/10 E CENTRO 17/10.
AMIG@S É MUITO IMPORTANTE! POR FAVOR NÃO SÓ SE INSCREVAM COMO TAMBÉM DIVULGUEM. NÃO É SÓ PARA PRODUTORES E ARTISTAS, MAS PARA QUALQUER CIDADÃO. CULTURA É TUDO QUE HÁ! NÃO SÓ O FAZER ARTÍSTICO...
Comissão de Educação e Cultura aprova o Plano Nacional de Cultura e o Orçamento de 2% da União para a Cultura
O Plano é um marco regulatório na Política Cultural, transformando-se no primeiro estatuto legal dos direitos culturais no Brasil, garantido pela Constituição Federal.
No mesmo dia, depois de aprovado o Plano Nacional de Cultura, no final da tarde a Comissão Especial das Receitas da Cultura aprovou, por unanimidade, o relatório da PEC 150/03 que destina orçamento de 2% para União, 1,5% para Estados e 1% para Municípios, proposta dos deputados petistas Zezéu Ribeiro (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA) e Fátima BezerraPT-RN).
Agora o relatório segue para votação no plenário da Câmara Federal. Seguiremos em vígilia até o final.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Roberto Barbato Jr., professor, de Campinas/SP escreveu sobre nós em seu blog "Lápis impreciso"
Em agosto de 2006, fui convidado para fazer uma exposição sobre o tema no Museu da República, no Rio de Janeiro. O seminário, organizado pelo Flávio Aniceto, do Centro Popular de Cultura Aracy de Almeida, reuniu vários professores e pesquisadores.
Poderia parecer estranho que cariocas quisessem ouvir alguém falar sobre uma experiência de cultura paulistana. Todavia, como o seminário versava sobre política cultural em sua generalidade, entenderam por bem me convidar.
Pois foi no simpático casarão do Catete, antiga morada de Getúlio Vargas, que passei uma tarde agradabilíssima. Conheci a turma do CPC e logo percebi que ali havia um desejo pulsante de discutir, produzir e organizar cultura. Falando nesses termos, pode soar ao leitor que a moçada era idealista e que todo aquele desejo intenso não resistiria ao tempo. Felizmente resistiu!
Com frequência e organização invejável, recebo os boletins informativos das atividades do CPC. Neles, encontro uma rica programação cultural, além dos textos que suscitam debates sobre a produção cultural carioca e a atuação dos conselhos municipal e estadual de cultura. Até mesmo a transferência do MIS para Copacabana, que tem ensejado muita discussão, já constituiu matéria de interessantíssimo artigo.
Se um dos grandes problemas das políticas culturais é a falta de aporte financeiro e de iniciativas, o CPC Aracy de Almeida é uma rara exceção. Se inexistem condições financeiras para a realização das atividades, a turma do Flavinho dá um jeito. Não se duvide. A vontade de empreender, a disposição para debater e o espírito aberto para as questões culturais superam as adversidades materiais e seriam capazes de causar inveja aos "dirigentes" da cultura brasileira.
Pena que toda essa efervescência cultural fique, muitas vezes, restrita ao círculo de amigos e apreciadores do CPC.
Por fim, sugiro aos eventuais leitores desse blog que, estando no Rio, procurem pela programação da turma do "CPC Araca". Valerá a pena!
Espiem o blog do Barbato em:
http://lapisimpreciso.blogspot.com/2009/09/cpc-aracy-de-almeida.html#links
José Roberto Souza Aguiar escreve sobre o "Dia do Folclore"
José Roberto de Souza Aguiar *
Nos anos de 1970, enquanto aluno de uma escola pública nesta cidade, cursando o que hoje equivale ao Ensino fundamental, presenciei e participei de festas comemorativas ao DIA DO FOLCLORE, justamente no mês de agosto. Entre as atividades apresentadas figuravam apresentações de danças típicas – frevo, quadrilhas como exemplos – e representações teatrais de personagens da mitologia brasileira: o curupira, o Saci-Pererê, o Caipora, etc. Eram festas divertidas, que contavam com a presença maciça de pessoas do bairro.
Palavra de origem inglesa, o termo folclore era usado pelos grupos imperialistas do século XIX, para minimizar as influências culturais das áreas de interesse comercial das grandes potências capitalistas, que agiram ferozmente sobre diversas áreas na África, na América Latina e na Ásia. Segundo o Dicionário Aurélio, define-se folclore “como o conjunto ou estudo das tradições, conhecimentos ou crenças de um povo, expressas em suas lendas, canções e costumes”. Nos anos de 1970, sob a égide de uma ditadura empresarial-militar, a idéia de diminuir a produção cultural no Brasil, promoveu uma baixa na divulgação dos movimentos populares e culturais do país, que em muitos casos contestavam as organizações políticas na época. A ideia de folclore ganhou ênfase, fato fortalecido pelo isolamento das ações culturais, contribuindo para a desvalorização da diversidade cultural. O Frevo, as quadrilhas juninas, a capoeira entre outras manifestações foram enquadradas como ações folclóricas.
Ao fim do processo ditatorial militar, no limiar do anos de 1980, a sociedade brasileira iniciou um processo de revisão de conceitos estruturais, em defesa de uma ordem mais democrática. As mudanças estariam direcionadas nas estruturas políticas e econômicas, e atingiriam em cheio as áreas de educação e cultura no país.
No século XXI, na Era da Globalização que proporcionou a ampliação das redes de comunicação, capacitando a todos a possibilidade de crescimento no campo de conhecimento e análise dos movimentos culturais difundidos no Brasil e pelo Mundo, ainda a ideia do minimalismo abrange a divulgação dos mesmos. As grandes produções e espetáculos vinculados aos interesses comerciais dominam as redes de divulgação, dificultando o exercício e as práticas culturais mais simples. Estas práticas que resistem nas ações de grupos e instituições que defendem as atividades mais populares, fortificando a resposta dos povos em luta pela própria dignidade e existência, baseando-se na defesa das afirmações culturais diversas. O termo CULTURA, que se define, segundo o mesmo dicionário como “o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidas coletivamente, e típicos de uma sociedade, como também o conjunto dos conhecimentos adquiridos em determinados campos”. Trata-se de fundamentos concretos e abstratos que instruem a formação de ações comportamentais de uma sociedade, distinguindo-a de outros grupos sociais organizados.
Concluo na lógica que há muito caminho a percorrer rumo ao processo de democratização das ações culturais no Brasil. Construir e referendar a idéia que o Brasil se constitui num grande celeiro de manifestações culturais além daqueles divulgados pelos principais meios de comunicação pelo país referenda a meta. E, consequentemente, não mais ouvir que as manifestações culturais brasileiras, tão diversificadas e ricas, ainda são enquadradas no termo de folclore nas escolas. Tudo é cultura.
* José Roberto de Souza Aguiar - Prof. Rede Municipal (Rio) e Estadual – RJ e Secretário- Geral CPC Aracy de Almeida
Flavio Aniceto escreve sobre o Conselho Estadual de Cultura do RJ
Conselho Estadual de Cultura: a opinião de um órgão ultrapassado
Flavio Aniceto*
É espantoso o "manifesto" dos membros do Conselho Estadual de Cultura/CEC que "O Globo" divulgou em 28/07/2009. Na ocasião, os conselheiros cobravam políticas públicas em nível federal ,acusando o governo de não ter políticas, só ter projetos. (concordo que projetos não são políticas, embora ache que um conjunto de programas e projetos podem constituir uma política, ou parte dela).
O CEC foi omisso nos principais debates ocorridos em nível federal e principalmente na questão estadual. Não tive conhecimento de uma tomada pública de posição em relação ao recente debate sobre as organizações sociais na área cultural do Estado. Assim como não soube de uma única opinião expressa sobre a acalantada mudança do Museu da Imagem e do Som e da “parceria” entre o governo estadual e a Fundação Roberto Marinho para o grande projeto (a Fundação entra com o que mesmo? Só sabemos dos custos anunciados para o poder público). Este “Novo MIS” pode ser a “Cidade da Música” de Sergio Cabral e Adriana Rattes (em todos os sentidos).
Acho que o primeiro passo para repensar as políticas culturais deveria ser dado, no caso do Estado do RJ, pela dissolução deste atual CEC. Sem desrespeitar as biografias de todos que compõem o Conselho - são pessoas de expressão e contribuição cultural – mas, a própria existência e modelo deste é ultrapassada. Baseia-se na velha fórmula de "conselheiros do Rei", de pessoas de notório saber e que tem que ser ouvidas. É a lógica, antiga, apontada por Machado de Assis, e resgatada por Roberto DaMatta, da "Teoria do Medalhão": são os "que tem que ser ouvidos", os "que precisamos nos entender" antes de qualquer tomada de decisão. As políticas culturais modernas operam sobre outro viés: ouvir muitos, em conferências, plenárias, blogs, em auditórios e também nas ruas, fazendo. E não mais somente em reuniões dos que "tem a dizer", orientando a plebe.
Finalmente, acho que, além de ilegítimo, este CEC demonstra uma desinformação. Muito está acontecendo, tem erros, falhas, mas também avanços, não só os Pontos de Cultura - no caso federal - e que um olhar menos carrancudo talvez permitisse ver. Por outro lado, o Brasil de hoje já se sabe culturalmente tão maior, diverso, rico, pulsante, que não cabe musicalmente em um "Projeto Pixinguinha" ou nas artes visuais em um "Salão Nacional de Artes Plásticas". O retorno a estes projetos não iria ser por si só um grande avanço. Fica a impressão que alguns conselheiros querem tão somente a retomada de projetos que criaram, e que sem sombra de dúvidas foram importantíssimos em outros momentos, mas agora, em 2009, precisa-se de mais. E em diversas áreas mais tem sido feito. Não só o governo, mas fundações e instituições da sociedade, em diversos níveis, fazem e tem feitos políticas. Talvez os senhores e senhoras do CEC em seus convescotes não tenham percebido. Aproveitando as mudanças planejadas pela secretária Adriana Rattes: convoque-se uma eleição, mude-se este formato do CEC, e que seja paritário, deliberativo e com representação social para além dos “medalhões”.
*Flavio Aniceto – produtor cultural, cientista social é coordenador geral do CPC Aracy de Almeida
O pesquisador Flavio Silva escreve sobre o "Novo" MIS em Copacabana
Um acerto e um equívoco
Flavio Silva
Sinto-me dividido, ao apreciar duas medidas tomadas pelo governo estadual. Por um lado, aplaudo a idéia de murar ou de ‘muretar’ favelas, para evitar sua expansão e proteger a mata que ainda resiste, muito embora essa iniciativa atraia as iras de ‘humanistas’ de plantão. Por outro lado, vejo, com tristeza e revolta, a idéia estapafúrdia de transferir para Copacabana o Museu da Imagem e do Som.
A instalação desse museu, nos dois prédios que o abrigam, é precária, incômoda e inconveniente, impedindo sua expansão, tanto no que se refere ao acervo, como às possibilidades de intervenção no tecido social. Acresce que, no prédio da Lapa, todo o primeiro andar é ocupado pela Escola de Dança do Theatro Municipal, que também não pode ampliar suas instalações.
Ocorre que esse prédio na Lapa tem enormes possibilidades de ampliação, beneficiando tanto o MIS como a Escola de Dança. Ele tem, ao lado, uma bela e bem conservada fachada de três andares, com o terreno vazio de uma casa destruída, e que pode ser usado para uma construção que duplicaria, pelo menos, o espaço atual para as duas instituições. Do outro lado desse terreno vazio, há o grande e belíssimo prédio do antigo Hotel Bragança, com suas duas torrinhas e sua fachada lindamente trabalhada, que a incúria de governos passados transformou em enorme cabeça-de-porco, com centenas de moradores. É visível, do lado de fora, a degradação a que está sendo submetido esse monumento de fins do séc. XIX; uma inspeção em seu interior certamente revelará o perigo permanente que cerca os que nele habitam. Um princípio de incêndio dificilmente será controlável; se (ou quando?) isso acontecer, quem será responsabilizado pelas mortes que ocorrerão? Estado e Município lavarão as mãos, mas os menos culpados serão os moradores.
A indispensável desapropriação e desocupação do ex-Hotel Bragança possibilitaria ampliar enormemente o espaço e as atividades culturais do MIS e da Escola de Dança, bem como de outras entidades estaduais, como o esquisito Museu Carmen Miranda, que deveria ser um setor do MIS, e não uma instituição autônoma, pagando mais um inútil salário de diretor. Os moradores do ex-hotel, porém, não podem ser jogados na rua. Como eles não são em grande quantidade, deve ser possível relocá-los em prédios, casas e espaços vazios que abundam nessa cidade. A valorização cultural da Lapa seria gigantesca, com o continuum que iria da atual sede do MIS até a Sala Cecília Meireles, passando pelo prédio que está sendo utilizado pela Escola de Música da UFRJ. Inversamente, retirar o MIS da região é contribuir para sua degradação. Vale lembrar que a Petrobras investiu um bom dinheiro na recuperação dessa sede do MIS/Lapa, durante a gestão Edino Krieger. Esse dinheiro será jogado fora, com a transferência para Copacabana.
Que benefício terá o Estado, desapropriando o prédio que, na Av. Atlântica, abriga o restaurante Terraço e a discoteca Help, para nele construir um novo MIS? A resposta é: nenhum. A idéia de que Copacabana precise de um museu à beira-mar é totalmente descabida. Alegou-se, inclusive, para justificar essa desapropriação, a necessidade de acabar com o espetáculo da prostituição que campeia naquela área. Ora, essa necessidade pode ser satisfeita mediante a desapropriação e posterior venda do terreno a uma imobiliária que construa apartamentos ou, quem sabe, mais um grande hotel, com vistas à Copa de 1914 e à Olimpíada de 1916. Essas duas possibilidades de construção propiciariam ganhos substanciais para o governo, mediante a arrecadação de impostos. Destruindo-se a Help e o Terraço para construir um novo MIS, deixa-se de arrecadar impostos e empregos são suprimidos.
Consta que o Estado teria depositado 13 milhões em juízo para desapropriar aquele valorizadíssimo espaço na Av. Atlântica. A essa quantia, há que acrescentar os 500 mil pagos à Fundação Roberto Marinho para realizar estudos de implantação do novo MIS, mais o prêmio para o arquiteto que apresentar o projeto vencedor. Haverá, sobretudo, o custo de uma edificação que deverá ter instalações muito especiais, e, portanto, mais caras, para evitar a ação da maresia sobre acervos dos quais ela é inimiga declarada. Sempre é bom lembrar que as transferências de local de acervos como o do MIS são necessariamente caras e complexas, pelos cuidados que exigem. Ora, aposto que, apenas com os 13 milhões da desapropriação, seria perfeitamente possível construir um novo prédio para o MIS e para a Escola de Dança, no terreno ao lado do MIS/Lapa. E com o dinheiro a ser gasto com a construção copacabanesca, incluindo acréscimos de custos ditados pela maléfica presença do oceano, seria possível relocar dignamente as pessoas que ocupam o ex-Hotel Bragança e, pelo menos, começar o processo de restauração desse monumento.
Cabe, enfim, perguntar que especialistas foram consultados pelo Governo do Estado, para levá-lo a essa esquisita decisão de prejudicar a Lapa sem beneficiar Copacabana. A resposta é, mais uma vez, óbvia: nenhum. Trata-se de uma decisão pessoal, sem nenhum fundamento, a não ser a vontade de um governante. Esse voluntarismo não costuma dar bons frutos − basta ver o que acontece com certo prédio inacabado na Barra da Tijuca.
"p.s.: esse texto é anterior ao anúncio do projeto vencedor do MIS copacabanesco. Ele foi escrito há uns três meses e publicado no Jornal do Brasil do dia 10 de junho passado. As críticas que traz continuam atuais e válidas. Não me manifesto sobre a qualidade estética do projeto vencedor. As descrições que a imprensa dele traz evidenciam que não se trata de um projeto de museu, e sim de 'centro cultural', de 'centro de lazer culturall' ou de coisa que o valha. Não encontrei nenhuma referência a espaços para armazenamento, guarda e tratamento de acervos. É evidente que a 'cidade da música' de Sergio Cabral Filho não custará o que foi anunciado, mas, com este valor, é possível duplicar o atual MIS da Lapa, construindo atrás da bela fachada no terreno vazio ao lado, além de desapropriar e restaurar o Hotel Bragança, antes que ele desabe ou se incendeie, e relocar as centenas de moradores que o habitam, Esses trabalhos não custariam nenhum centavo de projeto de arquitetura externa, pois ela já está toda pronta. Seguramente, ainda sobraria dinheiro para cuidar do acervo - razão de ser de um museu."
Flavio Silva , 70, é pesquisador em música (flazil@terra.com.br)
sábado, 16 de maio de 2009
Teresa Fazolo escreve sobre o Espaço Cultural Aracy de Almeida
Malvina Augusta Bispo dos Santos e sua irmã Marilza Bispo dos Santos Broedel , moradoras do Cachambi e Méier, tomaram conhecimento das atividades artísticas no local, pelo cartaz afixado no portão de entrada, próximo à casa de sua mãe, Antonia de Jesus Bispo. Dona Antonia, salgueirense que desfilava no GRES Arranco do Engenho de Dentro e não perdia as atrações do Espaço Cultural, adoeceu e, no dia 1º de maio, com 84 anos, partiu do Encantado. As filhas, após um período de afastamento por conta da doença da mãe, permanecem fiéis ao Espaço Cultural onde também matam um pouquinho a saudade de d.Antonia.
O casal Alice Penello e Laert da Silva, que mora no Encantado, também freqüenta o Espaço Cultural Aracy de Almeida desde o início de suas atividades. Eles lamentam a falta de espaços de lazer e cultura na região. Acostumados a freqüentar o teatro da Universidade Gama Filho, ficaram sem opção, com o fechamento do teatro. Laert diz que, no Espaço, já assistiu a excelentes espetáculos, que nada ficam a dever a outros teatros..
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Diana Aragão escreve sobre novo CD de Telma Tavares
A cantora e compositora Telma Tavares já se encontra em estúdio preparando o seu segundo CD. E, a julgar por algumas audições das novas músicas como “Beco sem saída”, na parceria com Roque Ferreira e “Juriti, flor e café”, com o também parceiro de fé Tainã Uarani, é disco do bom. O CD "Veia Mestiça" sairá dentro de uns dois meses e trará participações de Alcione, Leci Brandão e do parceiro Roque Ferreira (um dos grandes mestres do samba de roda da Bahia). O primeiro CD de Telma contou com as participações de Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Carlos Malta, Maurício Einhorn e de alguns índios da tribo Carajás, da Ilha do Bananal. Telma também é compositora gravada pela cantora Alcione como no CD "A paixão tem memória" com a música "Porto d`alma", de Telma com Tainã Uarani, no cd/dvd "Faz uma loucura por mim", a canção "A sangue frio", dela com Roque Ferreira; do cd/dvd "Uma nova paixão" - "Corpo fechado", em parceria com Roque Ferreira; no cd/dvd "De tudo que eu gosto" - "Agarradinho", também da dupla. Estas duas últimas também estarão no disco de Telma. Vale registrar que a música "Acesa", da nova safra de Telma com Roque dará título ao novo CD de Alcione.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Diana Aragão escreve sobre o centenário de Ataulfo Alves
Diana Aragão
O compositor e cantor Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí, Minas Gerais no dia 02 de maio de 1909 e morreu no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1969 deixando extensa obra na música popular brasileira. De família numerosa, sete irmãos, era filho do violeiro e repentista Capitão Severino, e, com sua morte, cedo começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Trabalhou como leiteiro, agricultor, marceneiro, engraxate e ainda arrumava tempo para estudar. No ano em que completaria 100 anos o mestre será lembrado em shows e na biografia “Ataulfo Alves, vida e obra”, do bamba Sergio Cabral prevista para este mês.
Aos 18 anos veio para o Rio de Janeiro em companhia do médico Afrânio Moreira Resende atuando como seu auxiliar, tipo faz-tudo, em seu consultório. Passando em seguida a trabalhar na Farmácia e Drogaria do Povo onde acabou como prático. Nessa época, ele morava no Rio Comprido onde organizava e atuava nas festas do bairro pois sabia tocar violão, cavaquinho e bandolim. Data também dessa época o seu casamento com Judite.
Além do casamento, Ataulfo Alves também passou a compor e tornou-se diretor de harmonia do Bloco Carnavalesco Fale Quem Quiser, do próprio bairro. O ano de 1929 também trouxe sua primeira filha, Adélia. Em 1933, o compositor Alcebíades Barcelos, o Bide, da dupla Bide e Marçal, compositores do sucesso “Agora é cinza”, escutou as músicas do jovem compositor e resolveu apresentá-lo a Mr. Evans, o todo poderoso diretor da gravadora RCA Victor, a maior da época.
Em convivência com outros compositores - era a época dos bambas do Estácio, da Praça Onze - Ataulfo Alves conseguiu que Henrique Foreis, o Almirante do Rádio, gravasse o samba “Sexta-feira”. Foi ainda nesse mesmo ano que a cantora Carmen Miranda gravou seu samba “Tempo perdido” infelizmente sem repercussão.
Sucesso que chegaria em 1935 quando já era conhecido no meio artístico com a gravação da música “Saudade do meu barracão” gravado por Floriano Belham. Mesmo ano da gravação da marcha “Menina que pinta o sete” feita em parceria com Roberto Martins, gravada pelo Bando da Lua que acompanhava Carmen Miranda. Era o sucesso chegando em definitivo.
O ano de 1936 trouxe a comprovação desse sucesso com as gravações de “Saudade dela” na voz de Silvio Caldas, da valsa “A você’, na parceria com Aldo Cabral e do samba “Quanta tristeza” feito em parceria com André Filho. Essas duas últimas foram gravadas por outro grande cantor da época, Carlos Galhardo, que se transfomaria em um dos grandes intérpretes das músicas de Ataulfo Alves nos anos seguintes.
O ano de 1937 registra ainda as parcerias com os grandes da época como Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista. Com esse último compositor, Ataulfo Alves ganhou os concursos carnavalescos dos anos de 1940-41 com os sucesos “Oh! Seu Oscar” e “O bonde de São Januário”. Antes, em 1938, Orlando Silva, gravou “Errei, erramos. E o ano de 1941, além do sucesso de carnaval, traz seu primeiro registro como cantor nas interpretações de “Leva meu samba” e “Alegria na casa de pobre”, na parceria com Abel Neto.
O ano de 1942 traz o compositor como intérprete de um dos seus maiores sucesos: o clássico “Ai que saudades da Amélia”, na parceria com Mário Lago. Ataulfo Alves gravou junto com o grupo Academia do Samba e abertura de Jacó do Bandolim na música eterna até hoje. A parceria com Mário Lago rendeu ainda outro sucesso: “Atire a primeira pedra”, além de “Capacho” e “Pra que mais felicidade”.
A partir do sucesso de “Ai, que saudades da Amélia”, Ataulfo Alves resolveu atuar como intérprete de suas próprias músicas criando, por sugestão do compositor Pedro Caetano, o grupo Ataulfo Alves e suas Pastoras, com grande sucesso. O primeiro grupo era formado pelas cantoras Olga, Marilu e Alda para as interpretações de sucessos como “Inimigo do samba”, em parceria com Jorge de Castro.
“Todo mundo enloqueceu”, em parceria com Jorge de Castro, “Boêmio sofre mais”, com Floriano Belham e “Vá baixar noutro terreiro”, com Raul Marques marcaram os anos 40, assim como “Infidelidade”, em parceria com Américo Seixas, de 1947. Sucessos também foram os clássicos “Errei sim” e “Fim de comédia” gravados por Dalva de Oliveira em 1950.
A década de 50 encontra o artista participando do show O Samba nasce no Coração realizado na boate Casablanca, o “must”dessa época. Em 1955, já tendo saído da RCA Victor, Ataulfo Alves gravou “Pois é…”na gravadora Sinter, lançando também, em 1956, o LP Ataulfo Alves e suas Pastoras. E no ano de 1958 fez outro sucesso com o samba “Vai, mas vai mesmo” e “Meus tempos de criança” relembrando a sua infância em Miraí.
A década de 60, o ano de 1961 mais precisamente, encontra Ataulfo Alves na Europa divulgando a nossa música. Explica-se: ele aceitou convite do compositor Humberto Teixeira para integrar um grupo de divulgação da MPB onde ele apresentou as novíssimas “Mulata assanhada” e “Na cadência do samba”, com Paulo Gestal. Grandes sucessos na voz de Elisete Cardoso até os dias de hoje.
O “Embaixador do Samba” viajou ainda por Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Holanda e Suécia sempre irradiando simpatia e elegância também no trajar, outra de suas marcas. Esse mesmo ano traz mudanças fundamentais em sua vida como a de fundar sua própria editora e a de se apresentar sem as pastoras Nadir, Antonina, Geralda e Gerladina. Foi por essa mesma época que, atormentado por uma úlcera do duodeno, passou o título de “General do Samba” para seu filho Ataulfo Alves Júnior, seguindo carreira solo até os dias de hoje.
Na década de 60 sua saúde começou a piorar e Ataulfo Alves morreu depois de uma cirurgia. Mas sempre trabalhando com o último parceiro, Carlos Imperial com quem compôs “Você passa e eu acho graça”, “Você não é como as flores” e “Mandinga”, gravada por Clara Nunes. Seu filho Ataulfo Alves Junior, o Ataulfinho, preserva a memória do seu pai compondo e também cantando as músicas de um dos grandes mestres da nossa música.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Opinião: "barcas, trens, ônibus, museis, centros culturais e outras formas de transporte", ou "Para responder Nelson Motta" por Flavio Aniceto
E daí, com a pulga arás da orelha (e devo dizer que minha pulguinha de estimação não é estatista, embora ache que o Estado tem papel fundamental no planejamento, gerência geral e em alguns casos gestão) lanço também dúvidas provocantes.
O que tem em comum:
- BARCAS s/a, concessionária privada do serviço de transporte marítimo e que domina o setor, oferecendo péssimo serviço, muitas vezes literalmente “ilhando” os moradores de Paquetá, ou atrasando a vida e causando mau estar aos moradores da Ilha do Governador e principalmente de Niterói, São Gonçalo e entorno. Vale lembrar que as vésperas do feriado de Semana Santa, na “quarta-feira” santa, uma “multidão” de 3.000 passageiros a mais por hora, resultou em um colapso no sistema, respondido pelo gerente da empresa com uma cínica declaração “não usem as barcas na hora do rush...”.
- SUPERVIA empresa que tem a concessão do sistema ferroviário do Estado do RJ, não cuidando da segurança, pontualidade e dignidade da população mais pobre e que depende deste meio de transporte. O que é mais grave e já motivo de comoção social geral: seus “seguranças” como política de “acomodação dos passageiros” resolveram (por conta própria e foram demitidos sumariamente, diga-se) chicotear, bater e empurrar os usuários.
- Sistema de transporte rodoviário, também concessão do Estado e municípios para um conjunto de empresas associadas a federação de transportes (FETRANSPOR), consta que funcionam em regime de cartel, são poucos os concessionários para muitas linhas e regiões geográficas. Decidem a seu bel prazer (por vezes fingem acertar com o governo) trajetos, horários, tabelas que incidirão nas tarifas, etc.
É verdade que não são OSs, estas “ilhas de modernidades” defendidas pelo Jornal O Globo, pela secretária de cultura do estado, Sr. Adriana Rattes e outros, mas independente da estrutura e/ou figura jurídica é este o modelo: o Estado sendo ineficiente, pesado, burocrático, concede a exploração do serviço a outros. Transporte é transporte, dirão os especialistas, ou “como você mistura trens, metrô (nem usei este exemplo pois seria covardia), etc. com Theatro Municipal, teatros populares, museus, etc.? Se muitos acham a cultura como “supérflua”, cereja do bolo e tal, os mesmos não tem dúvidas sobre transporte de massa: são os motores da economia, levam e trazem pobres e remediados que irão construir a riqueza, ou jovens que vão as aulas, os garçons que atenderão nossos cafés e chopes, as empregadas que se pendurarão em janelas pra deixar tudo limpinho. Se nos trens e barcas a resposta eficiente da área privada é esta, o que esperar por exemplo das “históricas” goteiras e cupins de teatros como o (estadual) João Caetano? Da conservação de arquivos públicos? Da programação social dos centros culturais do município e estado do Rio de Janeiro?
Não seria o caso de pensarmos mais e melhor sobre tudo isso? De como transportar melhor o povo, lhes dar condições de moradia, educação, saúde e principalmente a parte que nos toca: fruição, consumo e produção de bens e serviços culturais. O Estado pode ser um pesado elefante, e os interesses políticos estranhos trocaram de animal, sai o elefante entra um hipopótamo privados. E todos sabem que precisamos mesmo é de um guepardo, pois as soluções são urgentes.
próximas atrações do Espaço Cultural Aracy de Almeida
- Sábado, 25 de abril: o grupo "Fuxico no Tapete" em homenagem ao Dia do Índio apresenta o espetáculo teatral infanto-juvenil, O TAPETE DE HISTÓRIAS DOS ÍNDIOS DO RIO DE JANEIRO: A CANOA DO TEMPO.
- Sábado, 09 de maio: roda de samba com o grupo "Manga de Colete" em homenagem a Luiz Carlos da Vila "VALEU ZUMBI!"
- Sábado, 23 de maio: o grupo Interpretarte formado por alunos e ex-alunos do Colégio Estadual Profº Maria n. Cavalcanti apresenta o musical CANTÁFRICA em homenagem aos 121 anos da Abolição da Escravatura.
sábado, 28 de março de 2009
Espaço Aracy apresenta "Casos de Família"
O espetáculo tem entrada franca e começa às 16h, e o espaço fica na rua Clarimundo de Melo, 216 – Encantado – Rio de Janeiro. A rua é central, pois liga a área do Méier a Cascadura e várias linhas de ônibus passam por lá, como 381 (Praça Tiradentes, Av. Pte. Vargas, Av. Radial Oeste, Av. 24 de Maio).
segunda-feira, 23 de março de 2009
São Luís, capital cultural do Brasil 2009, por Roberta Martins
Essa iniciativa que surgiu na Grécia, em 1985 teve excelentes resultados com as capitais européias da cultura e tornou-se um exemplo a ser seguido, pois a iniciativa funciona como instrumento de promoção e difusão da cultura através da realização de eventos e da divulgação dessas cidades por todo o mundo.Essa tendência internacional se materializou no Brasil em 2004, com a criação da Organização Não-governamental Capital Brasileira da Cultura (CBC), fruto da Organização Capital Americana da Cultura (CAC), que vem a ser uma colaboradora oficial para a integração dos países membros da OEA.
Com isso, desde 2006, uma cidade do território brasileiro passa a ter o título de Capital Brasileira da Cultura.
A primeira delas foi Olinda, em 2006, a segunda a exercer seu mandato foi São João del-Rei, em 2007, a seguir a detentora do título foi Caxias do Sul, para o ano de 2008, São Luís se tornou a Capital Brasileira da Cultura 2009.
Estava na belíssima São Luis do Maranhão no dia em que esta foi alçada oficialmente ao posto, houve a entrega do título, foi celebrado o Termo de Parceria entre a ONG Capital Brasileira da Cultura e a Prefeitura, e entregue o Diploma de Capital Brasileira da Cultura 2009.
Era um belo dia do mês de março, e os principais matutinos da TV, assim como os jornais impressos, acordaram a cidade bradando com muito orgulho a importância do fato, além de convocar todos a participarem do evento comemorativo em seu teatro mais importante, o Teatro Arthur Azevedo.
O evento teve ares de grande acontecimento, como não poderia deixar de ser, e consistiu em um cortejo ‘maravilhoso’ de vários grupos populares onde se viram batuques, bois, cacuriás, tambores e crioulas desfilando pelas ruas, adentrando o formal teatro, e essa grande concentração culminou com uma apresentação do genial Turíbio Santos em seu interior.
Toda a belíssima festa demonstrou a riqueza e diversidade das manifestações artísticas daquela que detém um título de Patrimônio da Humanidade, por seu centro histórico com o lindíssimo paredão de azulejos portugueses e seu rico casario colonial.
Acredito que ser capital cultural deve ter trazido algum benefício para cada uma das localidades anteriormente eleitas, divulgar a cidade, atrair turistas, ampliar a discussão de que o cultural pode constituir-se em valor econômico, atrair investimentos na área, aumentar o amor de seus habitantes pela própria cidade, diminuir preconceitos aos artistas populares pela valorização de suas manifestações como artísticas e consequentemente o orgulho e auto-estima dos locais, e por aí vai.
No caso de São Luiz, espero que funcione desta forma, como uma vitrine de suas manifestações de uma cultura própria e de riqueza ímpar, fruto de uma herança cultural que é um ‘mix’ de influências históricas. de portugueses, franceses (lembremos que esse é o ano da França no Brasil), holandeses, negros, e tantos, que se traduz em uma diversidade sem par que vai dos grupos folclóricos portugueses ao reggae, passando pelo boi de tambor e o de orquestra, e tudo isso apimentado pela sensualidade presente em todas as suas danças, de reggae dos tambores de crioula e cacuriás.
Mudanças na Lei Roaunet tem consulta pública pela internet
sexta-feira, 20 de março de 2009
Exposição sobre os 100 anos da ABI na Cinelândia
A exposição ABI — 100 Anos de Luta pela Liberdade reúne a arte de grandes cartunistas, em celebração ao centenário da Associação Brasileira de Imprensa.A mostra reúne charges, cartuns, caricaturas, gravuras, esculturas, pôsteres e pinturas, formando um painel representativo da luta pela liberdade de expressão na imprensa brasileira. Dentre os 55 artistas participantes estão: Henfil, Ziraldo, Jaguar, Lan, Loredano, Trimano, Claudius, Vasques, Santiago, Luis Fernando Veríssimo, Aroeira, Chico & Paulo Caruso.
É no Centro Cultural da Justiça Federaç /CCJF e ficará lá até 26/04, terça a domingo, das 12 às 19h - Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro / RJ. CEP 20040-009. É bem na Cinelandia ao lado da Biblioteca Nacional.
http://www.ccjf.trf2.gov.br/prog/prog.htm
quinta-feira, 19 de março de 2009
Petição online pela manuenção da área cultural no Simples
Assinem a petição em:
http://www.gopetition.com/online/25848.html
Sign the petition
Agenda: Espaço Cultural Aracy de Almeida 28/03
O nosso Espaço Cultural Aracy de Almeida apresenta o espetáculo infanto-juvenil “A bruxinha que era boa” com o grupo teatral “FAMA.”, que reúne jovens de Nova Iguaçu. O espetáculo tem entrada franca e começa às 16h, e o espaço fica na rua Clarimundo de Melo, 216 – Encantado – Rio de Janeiro. A rua é central, pois liga a área do Méier a Cascadura e várias linhas de ônibus passam por lá, como 381 (Praça Tiradentes, Av. Pte. Vargas, Av. Radial Oeste, Av. 24 de Maio).
Edital do MinC para organizações LGBT
São com esses objetivos que o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), publicou no Diário Oficial da União (Seção 3, página 9) em 16 de março, edital contendo normas específicas para realização do concurso público Prêmio Cultural LGBT 2009. As inscrições começam na próxima segunda-feira, 23 de março, e terminam no dia 8 de maio.
O concurso visa premiar iniciativas culturais exemplares e que tenham ocorrido no período de 1º de janeiro de 2007 a 28 de fevereiro de 2009. Os projetos devem ter contribuído para o combate à homofobia, para o aumento da visibilidade do segmento LGBT e valorizado sua existência. Serão selecionadas até dois projetos por estado, sendo um por município. Cada instituição selecionado receberá como premiação o valor de R$ 23 mil.
O concurso será realizado de forma regionalizada e deverá premiar até 54 iniciativas, contemplando as regiões brasileiras da seguinte forma: até oito iniciativas das regiões Centro-Oeste e Sudeste, cada; até seis da Sul; até 14 da Norte e até 18 da Nordeste. Caso não tenham sido premiadas todas as iniciativas da região, os prêmios remanescentes serão destinados às que obtiverem maior pontuação na classificação geral, independente da sua região.
Poderão inscrever-se instituições privadas, sem fins lucrativos que tenham natureza cultural e sejam consolidadas na atuação com comunidades LGBT e que tenham, no mínimo, três anos de existência. Não poderão se inscrever, para esse concurso, iniciativas que tenham sido beneficiadas com recursos do Fundo Nacional da Cultura, em 2008.
Para se inscrever os interessados deverão ler atentamente o edital, preencher o formulário de inscrição, anexar os documentos pedidos, além de materiais complementares de acordo com a proposta. Leia a íntegra do Edital.
O envelope deve ser encaminhado pelos Correios para o seguinte endereço:
Concurso Público Prêmio LGBT 2009Caixa Postal nº 8591- SHS Quadra 02 Bloco BCEP 70312-970Brasília - DF
(Marcos Agostinho, Comunicação Social/MinC)
quinta-feira, 12 de março de 2009
Mudanças na política estadual de gestão cultural em debate na Candido Mendes
O Ciclo de Palestras Cultura Sindical tem como objetivo aproximar as áreas acadêmica e sindical relacionadas à produção cultural, voltadas para discussão sobre três eixos de interesse comum: (1) as políticas culturais em níveis municipal, estadual e federal; (2) as condições de trabalho e o mercado no setor cultural; e (3) a formação acadêmica dos profissionais na área da cultura.
Trata-se de uma realização conjunta do Curso de Graduação em Produção e Política Cultural do Instituto de Humanidades - UCAM com um conjunto de sindicatos e associações da área de cultura, os quais comporão esta primeira mesa.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Notas sobre políticas culturais e editais
Em Brasília:
- A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) foi eleita na última quarta-feira (04/03) presidente da Comissão de Educação e Cultura. Ela substitui o deputado João Matos (PMDB-SC) no cargo. Segundo Maria do Rosário, a Comissão de Educação e Cultura já está consolidada como centro do debate desses dois temas. A comissão também elegeu a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) para a 1ª vice-presidência e a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) para a 2ª vice-presidência. Vamos acompanhar os trabalhos da comissão. O endereço é: Comissão de Educação e Cultura - Câmara dos Deputados, Anexo II, Pav. Superior, Ala C, Sala 170 - (61) 3216-6629 / 6628 ou no link: http://www2.camara.gov.br/comissoes/cec
2 - No Estado do RJ:
- O deputado estadual Alessandro Molon (PT-RJ) foi eleito presidente da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa/ALERJ, tendo como vice-presidente a deputada Alice Tamborindeguy (PSDB-RJ). O contato da comissão é: tel. (21) 2588-1309, o assessor é Haroldo Aquino, haquino@alerj.rj.gov.br ou no link: http://www.alerj.rj.gov.br/comissoes2.htm .
- No último dia 02, ocorreu na ALERJ um fórum, presidido pelo deputado Jorge Picciani, (PMDB-RJ), presidente da casa, que tinha como objetivo ouvir os representantes da classe artística e funcionários da Cultura do RJ a respeito do Projeto de Lei 1974/09 (que terceiriza a gestão cultural no estado). Estiveram presentes representantes da Fundação Anita Mantuano de Artes do RJ/FUNARJ, do Sindicato dos Músicos/SINDMUSI, da Cooperativa de Músicos Independentes do RJ/COOMUSI e funcionários de diversos órgãos da cultura estadual. Um dos espaços mais citados foi o Teatro Municipal, pela sua história e projeção. Segundo Álvaro Maciel, da COOMUSI, presente ao encontro: “Não houve uma só fala a favor da proposta de mudança do modelo de gestão cultural fluminense feita pelo poder executivo através dos projetos de lei 1.974/09 e 1.975/09. Não faltaram severas críticas à gestão da secretária de Cultura Adriana Rattes”.
- Sobre o mesmo assunto, o deputado Molon está convocando uma audiência pública nesta semana. Segue a convocatória recebida: “ O deputado estadual Alessandro Molon, presidente da Comissão de Cultura da Alerj, está convocando Audiência Pública para debater o tema da terceirização da gestão da Cultura proposta pela Secretaria Estadual de Cultura.A mensagem do Poder Executivo já está tramitando na Casa, com pedido de urgência (o projeto segue em anexo).É muito importante a mobilização do setor cultural para impedir que essa mensagem seja aprovada na Alerj. Temos que lotar o plenário para demonstrarmos força contra este projeto! A Audiência Pública será realizada no dia 10 de março (terça-feira que vem) às 10h no plenário da Alerj. O endereço é Rua Primeiro de Março S/N – Centro (Praça XV). ”
- Seminário Permanente de Políticas Públicas de Cultura do RJ: as inscrições estão abertas para este que é um programa de extensão pioneiro em nosso estado, com organização da Comissão Estadual Gestores de Cultura do RJ/COMCULTURA, e convênios com a Universidade do Estado do RJ/UERJ, Fundação Casa de Rui Barbosa/FCRB. O seminário consolidou-se como um fórum de amplo espectro para a discussão acerca de políticas públicas efetivas na área da cultura, na medida em que congrega em si mesmo as práticas municipais dos gestores de cultura, a investigação conceitual e a crítica através da Universidade e da Casa Rui. As inscrições gratuitas para o seminário estão abertas desde o último dia 02/03 através do site www.comcultura.com.br e são voltadas para trabalhadores, agentes ou estudantes do setor cultural.
....................................................................................................................................
Editais:
Cine mais Cultura: com a concentração de salas comerciais de cinema em apenas 8% do território nacional e a quantidade muito reduzida deobras audiovisuais brasileiras na TV, a maioria dos filmesproduzidos no país permanecem inéditos para grande parte desua população. Dentro deste contexto, o Ministério da Cultura/Programa Mais Cultura, promove a ação Cine Mais Cultura. Através de editais eparcerias diretas, a iniciativa disponibiliza equipamentoaudiovisual de projeção digital, obras brasileiras do catálogoda Programadora Brasil e oficina de capacitação cineclubista,atendendo prioritariamente periferias de grandes centros urbanose municípios, de acordo com o Programa Territórios da Cidadania. Os editais focam pessoas jurídicas sem fins lucrativos e visam contemplar bibliotecas comunitárias, pontos de cultura, associações de moradores ou até mesmo escolas e universidades da rede pública bem como prefeituras, objetivando favorecer oencontro do público brasileiro com a nossa produçãoaudiovisual. Mais informações em: http://www.cinemaiscultura.org.br/editais.html
Diana Aragão escreve sobre Museu Villa-Lobos
Museu Villa-Lobos ganhou, no último dia 05, acervo digitalizado da vida e obra do compositor
No dia 5 de março, data em que Heitor Villa-Lobos completaria 122 anos, o Museu Villa-Lobos passou a disponibilizar digitalmente o seu acervo, um rico material armazenado durante décadas, reunindo imagens da intimidade do compositor, registros inéditos de viagens, concertos, balés, filmes, cine-jornais, programas de TV, acessíveis agora em mídia digital para o grande público.
Com o patrocínio da Petrobras, digitalizou-se o material que inclui imagens geradas de filmes em 8, 16, 35 mm, em Betacam e VHS, impossibilitados de serem projetados e correndo risco de danificação. Projeto que contou com colaboração técnica da Labocine que produziu um equipamento possibilitando a ampliação quadro a quadro dos filmes de 8mm, sendo filmados em 16 mm, um processo até agora inédito no Brasil. A transferência para a bitola 16mm, formato amplamente utilizado em todas as etapas do processo cinematográfico, facilitará não apenas a sua exibição, mas a geração de novas matrizes extremamente estáveis e de fácil duplicação que, mantidas em condições de preservação ideais, garantirão durabilidade ilimitada.
A disponibilização do acervo digitalizado, que também inclui fotografias, documentos, depoimentos e troca de correspondências com personalidades como Manuel Bandeira, Walt Disney, Stravinsky, Arthur Rubinstein - com a curadoria de Fabiano Canosa - inicia as comemorações dos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos que faleceu aos 72 anos deixando sua obra reconhecida em todo mundo.
A Clan Design, responsável pelo projeto digitalizou um total de 153 horas de filmes assim distribuídos: 14 filmes em 16 e 35mm (10 h), 80 filmes em VHS (140 h), 20 rolos de filmes inéditos em 8mm com duração de três horas que estavam guardados por Arminda Villa-Lobos até 1996. Foi feito um DVD para cada item do acervo além das 300 fotos armazenadas em DVDs e em CDs para visualização rápida. O acervo digital conta ainda com 600 documentos pessoais de Arminda e Heitor Villa-Lobos, originalmente arquivados em livros montados pela própria Arminda.
Mais informações e visitas: Museu Villa-Lobos: Rua Sorocaba, 200 – Botafogo Rio de Janeiro – RJ. Telefone: 55.21.2539.1715 www.museuvillalobos.org.br
agenda do CPC na quinzena
O Museu da Imagem e do Som/MIS-RJ convida para o depoimento do ator Ítalo Rossi, um dos mais importantes nomes do teatro brasileiro. Ele será entrevistado às 13h30, na sede do MIS na Praça XV, entre outros, por Barbara Heliodora e Moacyr Goés.
Sábado, 14/03:
O nosso Espaço Cultural Aracy de Almeida apresenta o espetáculo infanto-juvenil “O pierrô apaixonado e a bailarina sem corda”, com o grupo teatral “Coxixo na Coxia”, cujas apresentações têm feito sempre muito sucesso lá. O espetáculo tem entrada franca e começa às 17h, e o espaço fica na rua Clarimundo de Melo, 216 – Encantado – Rio de Janeiro. A rua é central, pois liga a área do Méier a Cascadura e várias linhas de ônibus passam por lá, como 381 (Praça Tiradentes, Av. Pte. Vargas, Av. Radial Oeste, Av. 24 de Maio).
quarta-feira, 30 de julho de 2008
"A Época Aurea do Rádio"

com a cantora Aurea Martins
a partir das 19h, com entrada franca
Local: Sala Carlos Couto
Endereço: Rua XV de Novembro, 35, Centro - Niterói/RJ
(anexo ao Teatro Municipal de Niterói)
Mais informações: 21-2620-1624
e-mail: teatro@tmnit.com.br
ÁUREA MARTINS brotou e floresceu duma cepa de músicos (sua avó tocava banjo) radicada em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Suas primeiras apresentações em público dão-se como integrante do coral do Ginásio Estadual "Raja Gabaglia". No final da adolescência, passa a freqüentar os clubes da jazz do subúrbio e a atuar como lady crooner do conjunto dos tios em bailes da periferia. Na primeira metade dos anos 60, começa a ser atraída para o centro da cidade. Numa renovação do cast da Rádio Nacional, é incluída entre os novos integrantes do elenco da emissora, ao lado de Alaíde Costa, Peri Ribeiro e Elis Regina (1945-1982), sob o incentivo de Paulo Gracindo (1911-1995). Registra-se então sua voz em disco pela primeira vez, numa faixa do LP Alvorada dos Novos, produzido por Altamiro Carrilho para a Copacabana.
Em 1969, vence a quarta edição do programa anual A Grande Chance, criado e apresentado por Flávio Cavalcanti (1923-1986) para a Rede Tupi de Televisão. O certame, com final realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, teve entre os membros do júri os maestros Erlon Chaves (1933-1974), Guerra Peixe (1914-1993) e Linfolfo Gaia (1021-1987); o pianista Bené Nunes (1920-1997); a cantora e compositora Maysa (1936-1977); a atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira; e o jornalista e escritor Austragésilo de Ataíde (1898-1993). Pelo primeiro lugar, conquistado com a nota máxima de todos os jurados, Áurea recebe como prêmio uma viagem a Portugal e um contrato para gravação de discos na RCA Victor. Na esteira do sucesso pela vitória do concurso, foi contratada para se apresentar na boate "Drink", da cantora e empresária Helena de Lima, em Copacabana. Em 1970, faz sua estréia em São Paulo, num show no Teatro Gazeta com o pianista e compositor Ribamar (1919-1987), parceiro de Dolores Duran (1930-1959) na canção Pela Rua, interpretada por ela na final de A Grande Chance. Após registrar dois compactos, produzidos por Rildo Hora e com arranjos de Guerra Peixe, lança em 1972 seu primeiro LP. No disco – também produzido por Rildo, com arranjos do pianista Luís Eça (1936-1992) e a participação do poeta Paulo Mendes Campos (1922-1991) –, Áurea é acompanhada pelo Tamba Trio mais o violonista Luís Cláudio Ramos.
(Seu talento sempre foi muito bem reconhecido, sim. Mas, para complementar os incertos cachês de cantora da noite, Áurea achou melhor arranjar um trabalho diurno que lhe garantisse um salário fixo – e nisto teve sorte como quê! De carteira assinada, entrou para o serviço público como inspetora de classe no Colégio Estadual "André Maurois", no Leblon, então sob a direção de D. Henriette Amado. [Dentre os jovens sob a sua inspeção, ela se lembra especialmente de Evandro Mesquita.] Quando os alunos se organizaram para promover um festival escolar da canção, um deles falou: "A inspetora canta." E assim, Áurea voltou a cantar num colégio. Agora, porém, não mais como integrante de coral; mas como solista. A partir daí, várias foram as vezes em que D. Henriette a convocou à sala da diretoria [que, aliás, não tinha porta] para que cantasse para ela, em pleno expediente [People, de Jule Styne & Bob Merril, era uma das preferidas da valente educadora experimental]. Mas o sonho da brava senhora foi drasticamente interrompido numa manhã de agosto de 1971. Ao ver D. Henriette ser retirada do estabelecimento pelos militares, Áurea saiu junto e não voltou sequer para dar baixa na carteira.)
No Dancing Brasil, na Avenida Rio Branco, Áurea Martins tem a oportunidade de trabalhar em 1972 com o cultuado "Fats" Elpídio, que ela, já de menina, conhecera através de suas gravações como pianista da legendária boate "Vogue". O saxofonista Paulo Moura, que presenciara seu êxito na noite do Municipal, e o pianista Wagner Tiso levam-na dali até Atenas, para com eles se apresentar sob os auspícios embaixada brasileira na Grécia. Ao voltar, é contratada pela boate "Number One", em Ipanema. Ali, ao lado de Djavan, faz revezamento com Alcione, tendo no acompanhamento o pianista Édson Frederico. A amizade com Emílio Santiago começa na boate "706", no Leblon, ainda na primeira metade dos anos 70, onde Áurea estréia acompanhada pelo pianista Cristóvão Bastos. No final daquela década, quando a música fina da noite boêmia da Zona Sul começa a migrar para as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, Áurea vai junto: "O Teclado", onde atua pela primeira vez ao lado do pianista Zé-Maria Rocha, revezando com Johnny Alf; "Chiko´s Bar", com Luís Carlos Vinhas (1940-2001); "Antonino" e, já nos anos 90, os shows do "Au Bar", divididos com Marisa Gata Mansa (1938-2003) e Zezé Gonzaga. Seu destino seguinte é a nova Lapa, onde inaugura o "Carioca da Gema" (de cujo elenco participou por sete anos) e faz diversas atuações no "Rio Scenarium".
(Foi num salão de beleza, entretanto, que conheceu Elizeth Cardoso. Áurea e a Enluarada tornaram-se amigas. A partir de então, tornou-se freqüente o fato de a Divina deixar o recesso do Olimpo à noite para, metamorfoseada em simples cliente de boate, ir ouvir Áurea cantar. Conta Hermínio Bello de Carvalho que, certa vez, enquanto Áurea dava seu recado numa festa particular na qual se sucediam diversas canjas, Jamelão confidenciou ao seu ouvido: "Essa aí sabe das coisas...")
Em 2003, lançou Áurea Martins, seu primeiro Cd, brindando-nos com toda a sua experiência e versatilidade como intérprete. No repertório, Cidade vazia (Baden Powell e Lula Freire), Céu e mar (Johnny Alf), Tarde (Milton Nascimento e Márcio Borges), Morro velho (Milton Nascimento), Peito vazio (Cartola e Elton Medeiros), Guacyra (Hekel Tavares e Joracy Camargo), João Valentão (Dorival Caymmi), Homenagem ao mestre Cartola (Nelson Sargento), Liberdade (Dona Yvonne Lara e Délcio Carvalho), Viagem (João de Aquino e Paulo César Pinheiro) e A voz rouca da crooner (Ivor Lancellotti e Márcio Proença).
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Aracy de Almeida no Teatro Odisséia
O evento, que teve início às 22 horas, contou com a presença de Agenor de Oliveira, Gil Miranda e Marcelo Maciel, que subiram ao palco para apresentar alguns dos sucessos da cantora, e ainda a atriz Kátia Vidal, fazendo performances com frases e textos de Aracy.
Durante todo o evento, foram projetadas fotos de Aracy que constituem a exposição "O Samba na Realidade: Aracy de Almeida: 1914-1988", dentre outras, além de imagens da cantora no “acervo livre e misturado” do youtube.
Seguem algumas fotos: